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junho 17, 2011

Escola profissão cultura

Se as escolas são uma floresta amazônica que nos cabe preservar e potencializar, e são, então aquelas árvores frondosas, as maiores, as que cobrem metade do céu com sua folhagem verdejante são os valores.

Uma ecologia da educação coloca em pauta a questão da sustentabilidade do ensino/aprendizagem. Sustentabilidade do desenvolvimento de identidades. Estratégias viáveis e necessárias para que o nosso futuro não seja o de jovens aprendizes da repetição conveniente, como tantas vezes parece o caso.

A escola necessária (ecoando Darcy) é a escola dos valores, e por essa via, uma escola de cultura – grandes sinapses mediadoras dos fluxos de informação provenientes dos próprios alunos, da família, comunidade e mídia. Todavia, a consciência da centralidade do papel cultural das escolas não é a norma. Prevalece a visão mais tradicional da transferência de conteúdos e habilidades.

O que significa para uma escola se conceber como equipamento cultural voltado para a transformação de alunos e sociedade? Significa primeiramente dar atenção e espaço aos modos de vida que a constituem – com ênfase no entorno. Os alunos não são simplesmente ‘unidades de carbono’ em busca de instrução. Aliás, como pode existir qualquer eficácia de desempenho sem a matriz desejante que a embase?

E por onde vai se ensinar desejo e valores, coisas absolutamente não ensináveis como conteúdos, se não for através da descoberta das fontes internas, dos discursos considerados legítimos pelos envolvidos, ou seja, através da legitimidade da própria criação de conteúdos?

Vale aqui a máxima de Feyerabend – “é preciso imunizar as pessoas contra todas as formas sistemáticas de educação” -, em outras palavras, educar e criar são a mesma coisa. Isso significa que não existem conteúdos soltos, que se justifiquem por si mesmos – o ‘x’ da questão sendo a relação que o aprendiz constrói com os conteúdos, educação aberta à criação e construção de identidades.

Há poucos anos a Escola Municipal Primeiro de Maio (Massaranduba-Salvador) recebeu uma distinção nacional por desempenho – Aprova Brasil. Uma análise mais detida mostra que a escola trabalha o tempo todo com a história de vida das famílias e da comunidade. Os conteúdos são produzidos a partir dessa espinha dorsal que reúne pais, filhos, professores e funcionários em torno de atividades conjuntas. Querem uma definição melhor do que seja currículo e transversalidade?

Na escola que se estabelece como centro cultural há de haver programas temáticos capazes de seduzir quem aprende ou ensina. Há de se preservar o direito de acesso ao patrimônio cultural da humanidade, a formação de grupos culturais, clubes de ciência, presença na internet…

“Há de haver pelo menos por ali, os pássaros que nós idealizamos” (J. de Lima). Em suma: raízes, troncos, conteúdos criados e recriados, folhagem densa de valores, e lá em cima esses meninos-pássaros cantando um futuro de ousadia e libertação.

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